O noivo da princesa – William Goldman

O_NOIVO_DA_PRINCESA_1232490175BWilliam Goldman (personagem e autor da história), é um renomado escritor e roteirista, ele inicia este livro nos contando sobre sua infância… Quando era criança, apesar de ser um garoto muito imaginativo, ele não gostava de ler (no início)… mas nós sabemos que ele se torna um escritor. O que acontece? O que eu perdi então?

Querido leitor, acontece com Goldman algo que já aconteceu com você, isso mesmo. Acontece seu primeiro livro, e depois dele, não existe volta. O primeiro livro de William Goldman foi O noivo da princesa, de S. Morgenstern, o “livro de despertar” de Goldman para o universo da leitura e que mudou sua vida para todo o sempre. Na verdade ele nunca havia lido esse livro, mas seu pai leu para ele quando William era criança e ficou doente.

“Pela primeira vez na vida, fiquei ativamente interessado num livro. Eu, o fanático por esportes, eu, o louco por jogos, eu, o único menino de dez anos em Illinois com ódio mortal pelo alfabeto, queria saber o que iria acontecer a seguir.”

(William Goldman –  O noivo da princesa)

s-l300Goldman depõe sobre sua primeira experiência como leitor e como essa experiência lhe expandiu para novas possibilidades. Pode ser que alguns leitores não se lembrem mais de quando foi que aconteceu o seu próprio despertar, ou qual livro lhe provocou tudo isso, mas é exatamente assim – conforme descrito por Goldman – que acontece:

“Todo o resto era meu.

Não existia uma história de aventuras qualquer que estivesse fora do meu alcance. – E agora? – eu dizia à Dona Roginski […] Bem, experimente Scott, veja se gosta dele -, e eu experimentei o velho Sir Walter e gostei o bastante […] – Quem mais, quem mais? […]”

(William Goldman –  O noivo da princesa)

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Ilustração de Mark Thomas (versão de Princess Bride ilustrada – apenas em inglês)

Mas todo esse papo sobre seu primeiro livro e seu despertar como leitor, sobre, mais tarde, o homem que Goldman se tornou, é apenas uma introdução breve para a verdadeira história. Acontece que William Goldman nunca havia lido O noivo da princesa (como eu já disse), era algo que se restringia à figura do pai. E o pai dele fez o que a maioria dos pais fazem: não leu o livro inteiro para o pequeno, só as partes boas,  editando coisas aqui e acolá.

Ainda bem, porque, mais tarde, Goldman finalmente decide ler essa história e se depara com uma coisa muito diferente… Essa distância no tempo é crucial e rica pois nosso escritor decide  então reeditar seu livro favorito em “Uma versão condensada das ‘partes boas’ “.

E então começa A HISTÓRIA que despertou Goldman para o universo da literatura. O noivo da princesa é uma aventura, com muitas partes de comédia e comentários sem pé nem cabeça.

“tristes capturas, mortes, mentiras, verdades, milagres e um pouco de sexo. Emfim, um romance onde tudo acontece.”

(frase de efeito na orelha do livro)

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Ilustração de Mark Thomas

Não acontece sexo na história, mas o resto é verdade. São oito capítulos contando a história de Flor-de-ouro, como ela se torna a mulher mais bonita do mundo, descobre o amor, o perde e o reencontra. É uma história muito doida, e eu particularmente amei os parênteses que, segundo Goldman, podem ser ignorados – porque realmente não fazem sentido, mas pra mim foram cômicos (você entenderá).

“Seu cabelo, outrora da cor de outono, continuava ainda da cor de outono, só que antes ela é que cuidava dele e agora tinha cinco cabeleireiros, trabalhando tempo integral, sob suas ordens. (Isso foi bem depois dos cabeleireiros; verdade seja dita, desde que apareceu a mulher apareceram cabeleireiros, sendo Adão o primeiro, embora alguns eruditos da Bíblia façam o possível para obscurecer este ponto.)”

(William Goldman –  O noivo da princesa)

 A história segue brincando de uma forma bem interessante e recebe cortes, com trechos em itálico, com os comentários de Goldman justificando um corte na história, o quanto o trecho abstraído era chato ou sem importância para a aventura e o porque de S. Morgenstern ter escrito tal coisa. Essas partes podem ser entediantes, talvez. Ou despertem um interesse em ler “o livro original” que Goldman detestou (só que ele não existe pessoal, S. Morgenstern é uma invenção 😦 ).

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Mas a aventura é muito boa e é uma forma de escrita muito diferente das que eu já tive contato. Dizem que o original em inglês é ainda melhor porque contêm piadas que não tiveram exito quando traduzidas para o português (é possível).

tumblr_nakugvV7HD1qbwxizo1_500.pngÉ também uma história fofa, Flor-de -ouro é uma garota simples do campo, seus pais são descritos como “feios”, mas Flor-de-ouro é linda sem igual (seus pais mal acreditam que puderam gerar uma criança tão bela). Em sua fazenda vive com ela o peão Westley, por quem Flor-de-ouro descobre ser completamente apaixonada e declara seu amor (essa parte é uma das partes mais fofas – não tanto quanto outra que não vou revelar).

“- Eu amo você – Flor de ouro disse – Sei que isto é uma surpresa pois tudo que sempre fiz foi desprezá-lo e humilhá-lo e provocá-lo, mas há várias horas que estou amando você agora e a cada segundo mais. […]”

(William Goldman –  O noivo da princesa)

Acontece que depois disso Westley será capturado por piratas, Flor-de-ouro será prometida para um príncipe, será sequestrada, passará por muita coisa. Sim ela é tipo a princesa indefesa, e também é avoada e sem noção (como a maioria dos personagens desse livro). Não um sem noção ruim, mas um sem noção engraçado (faz sentido?).

O final do livro é uma coisa que me deixou meio frustrada, não é um final ruim, mas poderia ter mais uma página ao menos (fiquei meio que “poxa”… não pelo que acontece, mas porque queria que tivessem mais palavras).

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Arte de Axel Medellin (entendedores entenderão)

Por fim, eu não posso deixar de comentar sobre outra experiência que vivi durante essa leitura que foi a de revisitar minha memória. Dias de tarde chuvosa, uma tv de tubo e um filme na sessão da tarde, não sabia que eu poderia lembrar de tantas coisas assim. É eu já conhecia bem a história de Flor-de-ouro antes de saber que era, originalmente, um livro. Para quem não sabe o livro O noivo da princesa (The Princess Bride 1973) teve uma adaptação para o cinema em 1987. O filme recebeu em português o nome de A princesa prometida (dirigido por Rod Reiner com roteiro do próprio Goldman), estrelado por Cary Elwes como Westley (Elwes participou, mais tarde, de filmes como Top Gun e de Jogos mortais) e Robin Wright interpretando Flor-de-ouro (Hoje em dia, Wright é, ninguem mais ninguem menos que, General Antíope em Mulher Maravilha).

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Eu vivi para ver minhas princesas de infância se tornarem generais (tradução livre)

Com certeza livro e filme não são a mesma coisa (isso é óbvio). Eu não vou dizer que recomendo que assistam A princesa prometida, pois é um filme do final dos anos 80, então pode ser que seja uma decepção para alguns por conta de figurinos e efeitos especiais (mas você sabe que tem dvd desse filme na banquinha das lojas americanas e também no Netflix).

Então é isso! Até a próxima, não se acanhe em deixar um comentário aí pra gente sobre sua relação com essa história, talvez você queira falar sobre o filme ou sobre alguma coisa do livro… Ficou com vontade de ler esse livro depois da nossa resenha? Conta aí!

estrelas julia

Juh

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