Cartas na mesa – Agatha Christie

Cartas na mesa capa LPMQuatro investigadores, quatro “assassinos” e um jogo de bridge.

“- Sou como o bom Deus me criou, madame.
– Somos todos assim, suponho.
-Nem todos, madame. Alguns tentam melhorar a obra divina […]”

(Cartas na mesa – Agatha Christie)

Cartas na mesa trata-se de um romance policial. A história começa com o famoso detetive, Poirot, encontrando “por mero acaso”, o excêntrico Mr. Shaitana em uma “Exposição de Caixas de Rapé”. O diálogo entre ambos chega a ser um tanto nonsense, pois Shaitana insinua ser colecionador e apreciador de grandes assassinos. Na “coleção” de Shaitana entrariam apenas àqueles cujo crime não pode ser provado.

“- Meu caro… os que ficam impunes! Os sucessos! Os criminosos que levam uma vida agradável, que nenhum sopro de suspeita jamais perturbou. Tem que admitir que é um passatempo divertido”

(Cartas na mesa – Agatha Christie)

f56f4498eaf48fdad857bf1ef22505e9A figura de Mr Shaitana é descrita como dono de uma ironia e excentricidade que deixaria muita gente engasgado. A palavra mais usada no livro para descrevê-lo é MEFISTOFÉLICO. Rico, exótico, suas festas são muito apreciadas, o homem parece conhecer o segredo de muitas pessoas. Mesmo sendo assim tão estranho, você já sabe que um tal papinho sobre “coleção”  não vai dar em coisa boa. Que coisa mais esquisita dizer algo assim para um detetive renomado, não é? Poirot refere-se à isso com algo como “entrar na jaula do tigre esfomeado” (concordo). Mesmo assim Shaitana propõe, então, organizar uma festa para apresentar a Poirot sua coleção, mas a impressão que passa para ele é que tudo é apenas uma “ideia de coleção” e não uma coleção em si (que era só uma “brincadeirinha”).

“Shaitana era um homem que se orgulhava de sua atitude mefistofélica perante a vida. Um sujeito de enorme vaidade. E imbecíl, também…”

(Cartas na mesa – Agatha Christie)

No dia do jantar, Poirot é apresentado aos convidados de Shaitana, sendo oito convidados no total divididos pelo “grupo dos suspeitos” e o “grupo dos investigadores”. Eu bem achei que seria possível ficar juntando as peças ao longo da história para descobrir quem era o assassino, mas confesso que eu não li o livro com papel e caneta ao lado (mesmo assim, acho que isso não seria possível de descobrir). Pelo que pude me informar, Agatha Christie sempre se preocupava com isso, ela não queria que você descobrisse o assassino antes do fim da história.

008-agatha-christie-s-poirot-theredlist
Os livros de Agatha Christie receberam adaptações para o cinema e a TV, se tiver curiosidade – aí vai uma lista de alguns atores que já interpretaram  o detetive Poirot

Eu não quero descrever esses personagens porque acho que conhecê-los dentro do livro é importante para a história, mas não posso deixar de comentar sobre Mrs. Oliver:

Capturar.PNG
Zoe Wanamaker como Ariadne Oliver

Mrs. Ariadne Oliver é uma escritora de romance-policial, que possui cabelos rebeldes e adora maçãs (ela pertence ao grupo dos investigadores). Para ela, apenas com a “intuição feminina” seria possível desvendar qualquer crime. A personagem funciona como um ponto cômico da história, e eu diria que o humor trazido por ela poderá até irritar alguns hoje em dia. No entanto, se você for capaz de entender a ironia e sagacidade por trás disso tudo, poderá perceber o quanto Ariadne é valiosa. Ela reflete e discute as próprias frustrações e críticas da autora, satiriza o trabalho do escritor de romance policial e é um verdadeiro alfinete sobre a crítica. Sobre seus próprios livros, Mrs. Ariadne Oliver demonstra o quanto a verdade não importa, contanto que a verossimilhança prevaleça. Vale lembrar que o detetive Poirot e Mrs Oliver são personagens que aparecem em outras histórias de Agatha Christie, sendo Poirot um de seus mais famosos personagens.

“- Não é bem assim que acontece – retrucou Mrs. Oliver – A gente realmente tem que pensar, sabe? E pensar é sempre maçante. E é preciso planejar as coisas. E depois, de vez em quando, a gente se mete num beco sem saída que parece que nunca mais tem fim… mas tem! Escrever não é especialmente divertido. É um trabalho duro como qualquer outro” – Mrs. Oliver

(Cartas na mesa – Agatha Christie)

CARTAS_NA_MESA_1247433939BA edição do livro Cartas na mesa que eu li é bem antiga, editado pela Círculo do Livro S.A., – essa editora nem existe mais – e a ficha técnica não informa a data de publicação do livro no Brasil (acredito que essa edição foi publicada pelo final dos anos 70), só a do original em inglês já é de 1936 (!). Sobre a escrita, é preciso previni-los de que Poirot tem o costume de falar algumas palavras em francês em suas frases, e nesse livro antigo, são raras as expressões que receberam nota de fim de página, então você pode ficar sem entender o que ele estava falando. Mas eu imagino que deva ser bem essa sensação que ele deva causar mesmo, não parece atrapalhar o entendimento da história essas expressões, elas só contribuem para se criar a atmosfera do personagem. Na edição publicada pela L&PM as expressões receberam nota de fim de página, mas como já mencionei anteriormente, isso não prejudica o entendimento da história, e nem acrescentaria em nada para a trama, as expressões em francês têm mais à ver com a figura que é Poirot mesmo, a construção do personagem.

No mais, tirando a linguagem pomposa do detetive, é uma leitura agradável, recomendo para todos que precisam de descançar a mente!

*obs: a história não tem nada de suspense, apesar de ocorrer um assassinato. É um romance policial, uma investigação sobre o crime, e não a prática do crime.

estrelas

Juh

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s