Estação Perdido — China Miéville

“Eu realmente quis mostrar como seriam as relações trabalhistas num universo fantástico. Outra coisa que sempre me incomodou é que, na literatura de fantasia, muitas vezes o racismo não é só um preconceito  é uma verdade ontológica. Raças não humanas se comportam de um jeito totalmente estereotipado. Mas não vejo por que um estereótipo racista deveria ser mais verdadeiro nesse tipo de mundo do que no nosso.”  China Miéville, em entrevista publicada pelo jornal Folha de São Paulo.

Embarcar em uma aventura de dois meses com a leitura de Estação Perdido foi uma experiência, digamos, inusitada.

Se, ao seu turno, a distopia fantástica weird de Miéville apresenta um universo próprio, com engrenagens particulares e raças alienígenas insetoides, por outro, revela uma assombrosa verdade sobre nossos vícios como sociedade, nosso lado feio, aquele que escondemos  por trás de metáforas e meias desculpas.

Fantasia que assusta por apresentar um portal direto para a realidade.

E aí, topa tomar um café comigo em Nova Crobuzon?

Continuar lendo “Estação Perdido — China Miéville”

À espera de um milagre — Stephen King

Falar desse livro é bem prazeroso. Conheci a história anos atrás, quando assisti ao filme baseado na obra, e me apaixonei. Já adianto que é uma história digna de todas as lágrimas. Agora, anos depois, recebo esse lindo presente de meu amor: o livro. Fugindo ao estilo que consagrou Stephen King como um escritor de terror, essa maravilhosa trama coloca em evidência outras habilidades do autor, entre elas a de emocionar. Ambientada nos anos 30, em plena Depressão Americana, a história conta com um cenário de total desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain.

Continuar lendo “À espera de um milagre — Stephen King”

Não me abandone jamais — Kazuo Ishiguro

ishig.jpg
Capa da 2º edição brasileira de Never let me go.

Internato de Hailsham, Inglaterra, 1978.

Crianças brincam em um ambiente idílico, com natureza exuberante e um excessivo incentivo às expressões artísticas, colecionismo e permutas.

As crianças de Hailsham são “especiais”.

Entretanto, descobrir o que esta pequena palavra, “especial”, pode significar neste romance retro/distópico do premiado autor Kazuo Ishiguro, o fará, inevitavelmente, irromper em lágrimas, provocando um desconforto existencial que poucas obras conseguem evocar.

Continuar lendo “Não me abandone jamais — Kazuo Ishiguro”