A menina submersa — Caitlin R. Kiernan

A menina submersa é um livro muito diferente! Nunca havia ouvido falar dele e, ao ganhar de presente da fofa da Ju ;), me encantei pela capa e pela beleza do livro… o devorei!

No entanto… se você está procurando um livro de leitura fácil, nem pense em chegar perto dele! Por quê? Vamos descobrir!

‘ “Vou escrever uma história sobre fantasmas agora”, ela datilografou. Uma história de fantasmas, com uma sereia e um lobo”, datilografou mais uma vez. Eu também datilografei.” – A Menina Submersa.

O livro te leva direto para dentro da mente de Imp, que é esquizofrênica, assim como o eram sua mãe e avó.

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A menina Submersa, Philip George Saltonstall (por Michael Zulli).

Logo por aí já dá pra se imaginar que não é nada fácil acompanhar as narrativas de uma mente esquizofrênica, e, em muitos momentos, você se perde sem saber se é ela que está narrando! Tem que dar aquela “voltadinha” nas páginas…

O ritmo da leitura em alguns momentos é arrastado, mas nada que tenha me tirado o fôlego de ler e nem que tenha feito a essência do livro se perder.

A obra  é  repleta de referências, como citações de, nada mais, nada menos que Virginia Woolf, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft.

O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare. Temos também referências a histórias reais, como o assassinato da Dália Negra e a Floresta dos Suicidas, no Japão.

No entanto, as referências que mais servem de base para a estruturação do livro, são Philip George Saltonstall e Albert Perrault e, seus quadros impactantes A Menina Submersa e Fecunda Ratis, são invenções da autora. (Admito que fui no Google procurar essas referências e me decepcionei ao ver que eram fictícias.)

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Fecunda Ratis, Albert Perrault (por Matthew Jaffe)

Uma história sobre sereias, lobos e fantasmas que nos surpreende por ter um livro dentro do livro.

Imp conversa consigo mesma, nos mostra que sua falta de memória e desordem cronológica de acontecimentos não nos deixa confiar em absolutamente nada do que estamos lendo (sério, fiquei louca querendo saber o que era factual e o que não era, e até hoje não descobri).

A sensação mais marcante do livro é a de que, em algumas partes, eu não tinha noção do que estava lendo, se verdade ou mentira, de onde vinham aqueles fatos, confusão com nomes e tudo o mais… acho que isso foi o mais interessante, pois me senti confusa como Imp, dentro da cabeça dela e da sua falta de ordem.

Está feito o convite para vir se perder no labirinto criado pela autora Caitlin Kiernan!

five stars

Emília

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2 comentários em “A menina submersa — Caitlin R. Kiernan

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