Cinco livros da Cosac Naify para comprar antes de (a editora) morrer

Foi com grande tristeza que os leitores brasileiros receberam, em novembro de 2015, a notícia do fechamento da Cosac Naify. A editora, popular principalmente entre os estudantes e profissionais de artes, design e arquitetura, ficou conhecida pelos livros técnicos dessas áreas e pelas edições luxuosas e cuidadosamente trabalhadas de clássicos da literatura mundial. Atualmente, o estoque remanescente da Cosac Naify está disponível somente no site da Amazon. Alguns títulos chegaram a desaparecer por um tempo do mercado, pois aqueles que iam se esgotando não estavam sendo republicados. Felizmente, a Amazon percebeu a lacuna deixada por essas obras e tem providenciado reedições de vários dos títulos mais procurados da Cosac. Sorte nossa, mas não sabemos por quanto tempo. =/

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Tentando minimizar a ausência da finada editora, recentemente a Amazon passou também a disponibilizar as versões digitais de grande parte do acervo da Cosac Naify, o que não exatamente resolve o problema. Embora eu seja completamente favorável à popularização dos eBooks, acredito que este seja um caso em que eles não suprem a necessidade dos livros impressos, uma vez que o grande diferencial da Cosac sempre foram suas belíssimas edições: com capa dura, papel de alta qualidade, costura reforçada e primorosamente ilustradas — até o momento, atributos impossíveis de serem reproduzidos com fidelidade nos eBooks.

Como fã da Cosac Naify, tenho garimpado o que ainda resta da editora por aí. A cada visita à Amazon, no entanto, tenho a impressão de que diminui a variedade de títulos disponíveis. Resolvi listar, então, algumas das obras que ainda estão à venda no site (ou que estavam, até o momento da publicação deste texto) e que, na minha opinião, todo leitor deveria tentar adquirir enquanto há tempo. Se você também é um órfão da Cosac Naify, merece tê-las em sua estante:

Decameron:

Esse clássico do italiano Giovanni Boccaccio, escrito na Idade Média, não é exatamente um romance, mas sim uma grande compilação de contos adultos. Seu teor erótico talvez seja seu maior chamariz em um primeiro momento, mas a obra também é inovadora em muitos outros aspectos, como a subdivisão da história em novelas ou contos ficcionais, uma quebra de paradigma para a época. A edição da Cosac traz uma seleção de 10 dessas novelas (no original, são cem), em capa dura, com marcador de página, manuscritos do autor e ilustrações divertidíssimas.

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Página de Decameron. Ilustração de Alex Cerveny.

 Contos Completos Tolstói:

Esse é de babar. Um box maravilhoso, com três volumes em capa dura e ilustrados com fotografias reais de Prokudin-Gorsky, pioneiro russo da fotografia em cores. A ideia de unir a obra de Tolstói à de Prokudin-Gorsky, ambos grandes observadores da Rússia de seu tempo e das mudanças revolucionárias que a assolavam, é de uma sensibilidade e uma beleza impressionantes. Uma obra de arte propriamente dita.

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Fotografia de Serguéi Mijáilovich Prokudin-Gorskii. Rússia, século XIX.

As Aventuras de Pinóquio:

Esqueça tudo o que você já viu de Pinóquio. Em As Aventuras de Pinóquio: História de um Boneco, o que temos não é mais uma das várias adaptações que já conhecemos, mas uma versão que foi buscar o texto na fonte. Publicada originalmente na Itália, em forma de folhetim nos jornais, a história de Pinóquio ganha uma edição mais fiel e completa pela primeira vez no Brasil, em uma caixa de colecionador, papéis e cores exclusivas, ilustrações de Alex Cerveny (o mesmo de Decameron) e um número de exemplares limitado a apenas 3500! É um verdadeiro milagre que ainda esteja disponível.

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Página de As Aventuras de Pinóquio. Ilustração de Alex Cerveny.

 Moby Dick:

Visivelmente produzida para quem não se contenta com uma leitura superficial, essa versão traz muitos materiais extras para o leitor estudar a obra a fundo. A tradução é inédita, feita por uma especialista no autor Herman Melville e por um pesquisador do vocabulário náutico. A edição conta, ainda, com artigos e resenhas que vêm sendo publicados sobre a história da baleia albina desde o século XIX, além de mapas, biografia do autor e um glossário naval ilustrado.

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Rotas e informações cartográficas em Moby Dick.

 Mary Poppins:

O grande diferencial dessa edição de Mary Poppins é a maneira como foram feitas as ilustrações: não por um ilustrador, mas por um estilista. Ronaldo Fraga topou o convite de desenhar, em forma de croquis, as cenas da história. Esses croquis foram, depois, bordados à mão, em tecido, e fotografados, para possibilitar a reprodução fiel da textura das roupas espalhafatosas da babá que tinha poderes mágicos. A lombada do livro é aberta, pois há também uma arte especial feita a costura do encadernamento.

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Clássica cena da babá Mary Poppins, na visão de Ronaldo Fraga.

Essas são apenas algumas sugestões, com o toque muito pessoal de alguém que adora ler os clássicos. Se tantas outras obras, tão importantes quanto essas ou até mais, não foram citadas aqui, isso se deve principalmente à preocupação em não fazer um texto grande e cansativo. São muitos os títulos que a Cosac Naify publicou de forma brilhante em todos esses anos de atividade no mercado literário. Se você é leitor de obras mais específicas, de arte, arquitetura, fotografia, e várias outras áreas tão bem representadas pela editora, há ainda mais títulos interessantes para você. Vale muito a pena dar uma garimpada no site da Amazon e garantir algumas dessas relíquias. Toda terça-feira tem uma seleção de títulos com desconto até as 23h. Não deixe de conferir! 😉

E você, tem em casa um livro preferido da Cosac Naify? Conhece algum que não foi citado aqui e que merece destaque? Deixe nos comentários!

Laís

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4 comentários em “Cinco livros da Cosac Naify para comprar antes de (a editora) morrer

  1. Já fiquei seguidor dessa página, Laís. Parabéns! Além dos que você citou, eu lembrei da versão excelente de Os Miseráveis, de Victor Hugo, com tradução de Frederico Ozanam de Barros e com notas históricas que ajudam muito a contextualizar o lwitor na linha de pensamento do autor, considerando questões de época e sociedade. Ainda na obra de Victor Hugo, a edição de Os Trabalhadores do Mar na tradução original de Machado de Assis é algo de especial no trabalho que essa difereniada editora fez! =)

    Curtido por 3 pessoas

    1. Siiim, João Paulo! É verdade, as obras do Victor Hugo ganharam essas versões especialíssimas da Cosac. Além do cuidado gráfico, havia também esse zelo pela melhor tradução, pela contextualização do leitor… A gente percebe uma preocupação da editora em oferecer uma experiência de leitura, né?
      Obrigada por seu comentário, querido! Um grande abraço!

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