As Cavernas de Aço — Isaac Asimov

  1. YWEgXsMUm robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido.
  2. Um robô deve obedecer as ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
  3. Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.

“Em Nova York, o investigador da polícia Elijah Baley é escalado para investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais.

A rede de intrigas envolve desde sociedades secretas até interesses interplanetários, mas nada o preocupa tanto quanto seu parceiro no caso, cuja eficiência pode tomar seu emprego, algo cada vez mais comum.”

Pois seu parceiro é um robô.

Publicado no início da década de 1950, As Cavernas de Aço é o primeiro romance da consagrada Série dos Robôs de Isaac Asimov, mesclando de forma magistral os gêneros ficção científica e literatura policial.”

ISACAssim está escrito no verso da edição trazida para o Brasil pela Editora Aleph em 2013. As Cavernas de Aço é o primeiro livro em que as famosas leis da robótica de Asimov aparecem.

Em um futuro em que os humanos conquistaram as estrelas com colônias em outros planetas, que ficaram conhecidos como Mundos Siderais, a população terráquea cresceu de modo desenfreado. Mudanças drásticas aconteceram na sociedade em todos os níveis. O conceito de cidade como conhecemos hoje já não existe há muito tempo. Em As Cavernas de Aço, o conceito de eficiência teve de ser incorporado em todos os aspectos para que a vida humana continuasse sustentável no planeta. As Cidades começaram a engolir vilarejos em uma escala muito difícil de imaginar.

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Arte – Don Davis

A cultura da Cidade significava melhor distribuição de alimentos, aumentando o uso de leveduras e produtos hidropônicos. A cidade de Nova York ocupava três milhões de quilômetros quadrados e, no último senso, sua população estava bem acima dos vinte milhões. Havia umas oitocentas Cidades na Terra, com uma população média de dez milhões. — página 41.

Para se ter uma ideia de escala, hoje, o censo de 2014 estima que a população de Nova York foi de 18.9 milhões de pessoas distribuídas em cerca de 17 mil quilômetros quadrados (região metropolitana). Uma população bem acima dos vinte milhões é um aumento considerável.

Cada Cidade tornou-se praticamente uma unidade autônoma. Com uma área tão grande construída, algumas pessoas nasceram, viveram e morreram sem nunca ter visto a luz do sol.

O Comissário sorriu.

— Eu providenciei isso especialmente ano passado, Lije. Acho que não mostrei a você antes. Venha aqui e dê uma olhada. Nos velhos tempos, todos os escritórios tinham coisas assim. Chamavam-se “janelas”. Você sabia disso? — página 23

Com esse trecho, dá para se ter uma boa noção da escala das Cidades de As Cavernas de Aço. Fica claro de onde veio o nome do livro também.

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Arte –  Jean-François Liesenborghs

Na minha opinião, todo livro de ficção científica ou fantasia merece uma introdução do contexto e das regras que formam o universo sobre o qual a história foi construída. Dito isso, posso tentar falar um pouco da história que se desenrola no livro.

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Isaac Asimov

Narrado em terceira pessoa, As Cavernas de Aço segue a trajetória do policial da Cidade de Nova York Elijah Baley. Esse policial é encarregado da investigação de um brutal assassinato de um embaixador de um dos Mundos Siderais. Para agravar ainda mais a situação política e econômica, os robôs passaram a substituir boa parte da mão de obra na Terra. Muitas pessoas não conseguiram se adaptar ao novo mundo e perderam seu status de “cidadão”. Essas pessoas passaram a viver às margens da sociedade, mal conseguindo o mínimo para sobreviver (lembra alguma coisa?).

Baley, chamado pessoalmente na sala do comissário de polícia, é incumbido da investigação do assassinato do embaixador. Também perplexos com o assassinato de um dos seus, os Siderais enviam um parceiro que Baley não esperava. Ele terá de investigar esse assassinato junto com R. Daneel Olivaw. Baley não se sente confortável em ter de trabalhar com seu novo parceiro. Daneel é um robô!

Com a colonização de outros planetas, os Siderais, como ficaram conhecidos, há muito romperam os laços de submissão com o planeta Terra. Atuando com completa autonomia, esses planetas passaram a enxergar a Terra como “um outro país”. Leis de imigração muito rígidas foram estabelecidas e um sentimento quase xenofóbico com relação aos Siderais passou a tomar conta dos terráqueos daquele tempo.

6a09b387c37ab7689f851ec858ce08f0Apesar de os robôs terem ocupado muitos postos de trabalhos, eles eram construídos para o trabalho que iriam realizar, assumiam formas que, mesmo humanoides, passavam longe da aparência de uma pessoa de verdade. Ao introduzir Daneel ao leitor, o narrador o descreve como sendo de aparência completamente humana. Esse tipo de robô havia sido proibido na Terra. Tanto é que Daneel não é visto como um robô por nenhuma pessoa além de Baley, que foi informado logo de início. Situações peculiares se desenrolam com o passar da história, mostrando a interação de Daneel com os humanos. Ele pode comer, ir ao banheiro e até dormir, mas não precisa fazer nenhuma dessas coisas. Sempre aparecem algumas discussões sobre o porquê seres humanos tem certos comportamentos.

asimov07.jpgUma das partes mais divertidas do livro, para mim, é a descrição de como funcionam os banheiros. Infelizmente não vou conseguir me lembrar da página em que essa descrição acontece. Basicamente os banheiros masculinos são uma versão exagerada dos banheiros públicos que temos hoje em dia. Os homens seguem um protocolo muito rígido de não falar com ninguém, não olhar para os lados e não gastar mais tempo do que o necessário dentro de um banheiro. O banheiro das mulheres já é uma versão exagerada do que temos hoje em dia também. Nos banheiros, as mulheres podem falar livremente, conversam sobre o dia a dia, seus maridos, seus trabalhos, sobre política e tudo o que acontece de importante em suas vidas. A parte divertida vem quando Daneel quebra esse protocolo em um dos banheiros masculinos. É praticamente um sacrilégio falar no banheiro masculino. Fico imaginando a situação que ocorreu na história como algo muito exagerado de uma quebra de protocolo social atualmente.

O livro vai introduzindo os conceitos de funcionamento das Cidades de uma forma muito orgânica e natural. Os acontecimentos são muito bem-explicados e a história levanta várias questões interessantes sobre a direção que a sociedade tomou e as questões que afligem muitos de nós. Vale lembrar que esse é um livro escrito na década de 50 e mostra uma visão de como o futuro era imaginado naquela época.

Leitura altamente recomendada.

estrelas copy

Thales

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