Personagens fictícios inspirados em pessoas reais: O conde Drácula

Fala galera!

Nessa semana tivemos uma resenha da Jovi sobre Vlad – a última confissão,um livro que conta a história, sem firulas, do homem por trás do mito do vampiro mais famoso da história: o conde Drácula. Ainda não conhece o livro de C.C. Humphreys? Confira a resenha da Jovi >aqui<.

Pra quem ficou interessado nesse ser, criatura ou homem que viveu a tanto tempo atrás e ainda vaga em meio ao imaginário de tantas pessoas, trouxemos uma matéria especial para essa sexta! Hoje vamos falar de Vlad III, príncipe da Valáquia.😈

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Vlad III

O HOMEM

Em 1431 nasce Vlad III, cujo pai tentava assumir o poder na Transilvânia, Romênia. O Vlad “júnior” também era conhecido como Vlad Drakula, Vlad Tepes e também “o Empalador”. Mas calma que a gente chega lá!

Há muitas controvérsias na história conhecida correntemente sobre Vlad. Segundo o pesquisador Florin Curta, em entrevista ao site livescience, não há evidências de que o príncipe tenha nascido ou vivido na Transilvânia em algum momento de sua vida. De acordo com Curta, Vlad II é quem se estabeleceu nessa região.

“Porque o castelo está nas montanhas nesta área nebulosa e parece assustador, é o que se esperaria de castelo de Drácula”, disse Curta. “Mas ele [Vlad III] nunca viveu lá. Ele nem sequer pôs os pés lá.” (livescience)

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Bran Castle – Belo e sombrio

No ano de 1431, o rei Sigmund da Hungria introduz Vlad II, o “pai”, na ordem de cavaleiros conhecida como “Ordem do Dragão“, e é por este motivo que a família carregará o sobrenome Dracul.

De acordo com o pesquisador Florin Curta, originalmente a palavra “Drácula” tinha como significado o animal dragão na língua romena, mas hoje em dia a palavra drac possui outra conotação… Ela significa diabo.

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Murad II

A missão de Vlad II era derrotar o Império Otomano. Uma confusão sem fim e que você vai precisar dar uma olhada em mapas para se inteirar da situação. Acontece que Valáquia ficava em uma região fronteiriça, e nessa época, morar em “fronteira” significava estar constantemente envolvido em guerras!

Em 1442 Vlad II vai em busca de um acordo diplomático com o sultão Murad II. O resultado disso?

O Vlad “pai” acaba por perder seus filhos, Vlad III e Radu, que ficam como reféns nas terras estrangeiras.

Sob a tutela do sultão Murad II, Vlad III é ingressado nas artes da filosofia e da guerra. Futuramente,  após Vlad voltar à Valáquia, sem Radu, ele se engajaria em um projeto de assumir o trono perdido do pai e impedir o avanço turco.

Curiosamente os irmãos Dracul tornariam a se ver, no entanto, em lados opostos do campo de batalha. Vlad enfrentaria Radu em 1462, e passariam a ser oponentes políticos pelo trono por direito (coisas que você acreditava que só existiam na literatura).

Enquanto Radu era conhecido como “o belo”, Vlad recebeu a alcunha de “o empalador”.

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Para alguns especialistas, a Princesa Brianna Caradja é atualmente a mais próxima descendete de Vlad III.

A prática de empalação consistia em espetar uma grande vara de madeira de aproximadamente 3 metros no ânus do inimigo com uma quantidade de óleos na ponta afiada. A madeira poderia demorar dias para atravessar o pobre coitado, que morreria lentamente.

A crueldade da técnica, da qual Vlad parecia ser um grande adepto, criou uma névoa embotada de crendices em torno do seu nome. Ele parecia apreciar ver o sofrimento de suas vítimas e teria feito banquetes sádicos afim de assistir a morte medonha do empalado. Vivendo em uma época onde as tramas políticas e traições eram uma constante, o medo inspirado por essas histórias tinham lá o seu valor estratégico.

Vlad teria caído em campo de batalha, após sucessivos enfraquecimentos políticos. Documentos históricos assinalam que sua cabeça foi decepada e exposta pelos turcos como troféu…. No entanto…

Um fato curioso são as pesquisas analisadas por Juan Luis González Treviño e Carlos Jair García Guerrero que aludem à uma outra razão para sua morte: uma doença que o teria deixado com aparências similares às características vampirescas, como gengivas retraídas que deixavam presas a mostra, palidez por anemia, fotosensibilidade na pele e mucosas além de um possível sonambulismo.

Assustador, não? 😛

O MITO

Em 1897, o escritor irlandês Bram Stoker publica o livro “Drácula”, mas antes dele, em 1819, Lorde Byron teria publicado o conto The Vampyre, ganhando popularidade imediata. No entanto, nos dias atuais é Stoker quem ganha a medalha do reconhecimento por dar vida à forma mais lembrada de Drácula.

Para além da figura histórica, o mito do conde sombrio que se alimentava de sangue humano fascina por reunir os mais profundos dilemas humanos, como percebemos na citação de Gail Kligman:

vlad-tepes-boinacult“Drácula é uma figura popular, um homem (notadamente não um super-homem ou monstro) através de quem os horrores da morte e as frustrações da mortalidade podem ser confrontados. Cultura sobre a natureza, corpo e alma reunidos: Drácula encarna e se debate com os traiçoeiros e intermináveis dilemas fundamentais da existência humana – morte, amor, sexualidade, desejo,dominação, controle sobre a natureza. Ao desafiar a morte Drácula desafia a natureza. Ele não está vivo ou morto, ao contrário, prospera em meio aos vivos e mortos, nem aqui, nem acolá.”

– GAIL KLIGMAN, The Wedding of the Dead: Ritual, Poetics, and Popular Culture in Transylvania

A ficção acaba por confundir-se com a história, mesclando Tepes com o Drácula místico de Stoker….. Sua  lenda sobrevive ao tempo e, até os dias atuais, move o imaginário de artistas, escritores, cineastas, e toda a sorte de entusiastas.

Todas as faces fictícias de Drácula traduzem o enigma em torno de Vlad III.

ADAPTAÇÕES

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A primeira adaptação para o cinema foi Nosferatu, dirigido pelo alemão Friedrich Wilhelm Murnau  (com direito a remake em 1979 – Nosferatus: O vampiro da meia noite). Sem conseguir os direitos para produzir uma adaptação direta do romance de Bram Stoker, Munrau inspirou-se diretamente no romance e construiu cenas de arrepiar os cabelos da nuca, mesmo nos dias de hoje!😈

Analisando mais a fundo a película, o site Tela Crítica publicou um texto muito rico acerca do filme de 1922. Segundo o texto, Nosferatu, assim como o Drácula de Stoker, revelaria o embate entre o arcaico e o novo em uma sociedade que estava a se modernizar:

“Em Nosferatu, é, portanto, muito claro o par antitético luz-escuridão, onde o primeiro significa civilização e progresso, e o segundo, tradição e barbárie (no romance de Stoker está presente uma série de referências às novas invenções da era tecnológica, em contraste com o horror de uma era das trevas personificado na figura de Drácula – o que se perde no filme de Murnau). Luz-escuridão é um par antitético que irá caracterizar a civilização do capital, principalmente – e literalmente – a partir da II Revolução Industrial.” – Tela Crítica

Hoje em dia adorado pelos estudantes das artes, Nosferatu também é figura POP, dando as caras até mesmo em Bob Esponja! :B

A vontade de representar Vlad, ou Drácula, nas telonas, não parou em Nosferatu! Temos dezenas de exemplos de roteiristas e diretores que, fascinados com a lenda do homem vampiro, traduziram-no de várias maneiras: desde a complexidade melancólica de Anne Rice, até um romance teen em Crepúsculo.

Recentemente o cinema produziu uma nova tentativa de junção do histórico com o fictício em Dracula Untold, produzido em 2014 com a direção de Gary Shore.

Apesar de apelar para uma caracterização heroica e boa pinta do sujeito, Dracula Untold mistura alguns “fatos” da vida de Vlad III com a do personagem da ficção que se tornará o vampiro. O Dracula de Gary se divide entre ser pai protetor, homem apaixonado e o empalador, mas é coisa bem leve, nada com o que se assustar.

Se você conhece mais versões que se inspiram em Vlad III para criar metáforas e adaptações, conta pra gente aqui nos comentários! Espero que tenha gostado da nossa “matéria sombria”…. Até a próxima e não se esqueça de fechar bem a janela antes de ir dormir! 😈

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Dupla dinâmica responsável pela matéria:

JULIA

Jovi

 

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