O que devo fazer da minha vida? – Po Bronson

Nessas últimas semanas, passei por um momento muito tenso. E, em relação aos meus sentimentos, às minhas ideias e ao que acredito, tomei certas decisões que, para muitos é uma completa loucura, para outros uma coragem.

2014-01-16-shutterstock_114318994-thumbO limite entre a loucura e a coragem é como uma corda bamba, é preciso ter coragem para tomar decisões. E se ser louco é pensar fora do modo habitual, é preciso ser louco para pensar que fora daquela corda bamba há um novo espaço. No momento, sinto-me mais louca. Meu ponto de fuga me traz mais incertezas do que certezas, mas aquele momento anterior não se parecia com um ideal de vida.

“[…] porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos. Os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora […]” (Jack Kerouac)

Isso tudo me fez lembrar de um livro que li a muito tempo. Não é um estilo de leitura que me atrai e, naquela época, eu nem gostava de ler. Mas como recebi de presente, e senti a obrigação de tentar, fora que, naquela época, o título me pareceu atrativo – O que devo fazer da minha vida?

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Salvador Dali

“Todos nós estamos escrevendo a história de nossa vida. Queremos saber qual é o seu significado, quais são as questões que ela nos apresenta, e quais são as mais importantes. Exigimos dela algo mais profundo, mais rico, mais substancial. Queremos saber para onde estamos indo – não para estragar a surpresa de nossos destinos, mas para ter a certeza de que, quando chegarmos ao fim, nossa vida não terá sido em vão. Queremos realizar alguma coisa. Não podemos desperdiçar nosso tempo aqui.” (O que devo fazer da minha vida? –  Po Bronson)

what-do-we-do.jpegQuando eu recebi esse livro, eu achava que era algo sobre decisões como vestibular, carreira, vocação – era o que me preocupava na época. Eu era uma adolescente tentando descobrir qual a decisão mais inteligente que deveria tomar. Prestar vestibular para que curso? O que vale mais, o prazer em estudar, ou o dinheiro que vou receber quando começar a trabalhar? Tudo isso é importante, e eu sei hoje que cada fase da nossa vida move perguntas, cada vez mais pesadas, e isso não é de tudo ruim. Mas não é fácil.

“Naturalizamos determinadas concepções de desejo e subjetividade. Acreditamos que sempre foi, é e será assim. Quando uma visão crítica é lançada sob tais aspectos, produz-se muitas vezes, um sentimento de que não tem saída, é tudo grande demais, longe demais e não podemos alcançar.” (Leila Domingues Machado)

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Po Bronson. Foto de Robert Schlatter

O livro de Po Bronson entra na categoria dos livros de “auto-ajuda”, mas ele é um dos muitos que não vai te ajudar em nada a tomar uma decisão que só cabe a você. Ele não ajudará ninguém que está prestes a prestar vestibular, a decidir qual curso deve escolher. Ou para quem quer saber se vale a pena continuar em um emprego ou partir para o próximo, esse não é o livro que apontará o que é mais sensato. Não se deve por a responsabilidade de sua escolha em um livro, e muito menos, em pessoas.

(as pessoas têm essa coisa, infelizmente não se deve deixar uma coisa tão importante, como sua vida, seu aprendizado, na responsabilidade de uma única pessoa, é sua vida, e você precisa buscar, em vários exemplos, perguntas e respostas, oS caminhoS).

“Procurando orientação e coragem nessa encruzilhada, fiquei intrigado com pessoas que descobriram sua verdadeira vocação, ou aquelas que, pelo menos dispuseram a tentar. Aquelas que lutaram contra a sedução do dinheiro, da intensidade e da novidade, e superaram a fascinação que eles podem provocar. Aquelas que deixaram o coro para conhecer o som de suas próprias vozes. Nada pode ser mais corajoso do que assumir a própria identidade e ignorar o discurso que nos diz que devemos ser alguém que não somos.”(O que devo fazer da minha vida? –  Po Bronson)

o que devo.jpgOs livros de auto-ajuda nos dizem tudo o que já sabemos, mas o que acontece no livro de Bronson é que ele não sabia a resposta, e então ele partiu para uma jornada, buscando essas respostas. Cruzando os Estados Unidos, Bronson compilou uma série de histórias de pessoas que fizeram essa mesma pergunta, ao menos uma vez na vida. As vezes era o caso de terem perdido tudo, de verem o mundo desabar, ter que começar do zero. As vezes porque o que viviam não era o suficiente, não era bom. Nem todas as histórias que Bronson conta tiveram “fim”, porque são relatos de vida, algumas pessoas ainda estavam no meio de suas trajetórias quando relatam ao autor os acontecimentos.

Ele não apresenta só as histórias mais entusiasmantes, ou só aquelas que deram certo. No enunciado Bronson conta que isso tudo, essa busca, aconteceu em um momento específico, consideravelmente intrigante:

“Isso foi numa época em que estávamos perdendo o respeito pelos líderes de corporações, em que já não acreditávamos que a nova tecnologia melhoraria nosso dia-a-dia, e em que o ataque à nossa liberdade transformara nossas vidas em algo precioso e merecedor de toda atenção e cuidado. As pessoas estavam reavaliando o que era realmente importante e aquilo em que acreditavam.”(O que devo fazer da minha vida? –  Po Bronson)

IMG_20131117_185520Bronson também apresenta um pouco sobre a sua própria história no livro. Seu sonho de ser escritor, e as ideias que ele teve para alcançar o objetivo. Ele decide contar sobre si mesmo devido a jornada, enquanto conhecia essas as pessoas, elas também queriam conhecê-lo. E Bronson percebe que sua história de vida os inspirava, tanto quanto a história delas inspirava o escritor.

Uma das partes da vida de Bronson, que é na minha opinião muito intrigante, ele próprio escreve que “Há uma parte de minha história que não consigo entender“. Simplesmente, Bronson trabalhava em um banco, vendendo títulos, nos EUA, chegando a receber um salário de cerca de 35 mil dólares por ano. Depois de um tempo, ele recebeu uma oferta de crescer na empresa e ganhar mais, mas recusou. Segundo Bronson, quando ele olha para trás ele pensa que foi um idiota. Mas provavelmente se tivesse aceitado não teria escrito nenhum livro, porque é uma ilusão achar que conseguiria juntar um dinheiro e se livrar daquele sistema facilmente.

“Por que desperdiçar anos tentando jogar com o sistema? Por que inventar desculpas para permanecer num emprego que, em última instância, não refletia o meu verdadeiro eu? Tinha de haver uma maneira mais direta.” (O que devo fazer de minha vida? –  Po Bronson)

Mas como ele mesmo diz, se sente um idiota por ter feito isso.  Acho que se sentir idiota é, por fim, uma resposta bem honesta. Eu não me sinto capaz de concluir essa resenha, Bronson tentou concluir seu livro, mas acho que a pergunta que ele levanta não se conclui. Deve ser por isso que, cerca de dez anos depois de ter lido esse livro, uma coisa me aconteceu, e eu me vi novamente diante dessa questão, e tomando uma decisão que para uns é loucura, para outros é coragem. Um dia posso olhar para traz e dizer que fui uma idiota (mas no meu caso eu não estou deixando de ganhar 35  mil dólares por ano).

Tente responder você – se achar que é capaz – essa questão de o que fazer da vida.

JULIA

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