O Fim da Eternidade – Isaac Asimov

eternidade_frente_altaImagine se um dia o ser humano conseguisse dominar a viagem no tempo. Será que a tecnologia seria usada para finalmente revelar os grandes mistérios da humanidade? Será que alguém iria testar o paradoxo do avô? Será que veremos esse dia chegar?

Essas são perguntas que surgem naturalmente ao se falar de uma tecnologia tão fascinante e perigosa.

Mesmo assim, imagine que o grande dia chegou, a viagem, ou melhor, o controle do tempo, foi dominado. E agora?

Essas são algumas das questões abordadas no livro “O Fim da Eternidade” de Isaac Asimiov. Você pode estar pensando: “conte-me mais sobre isso!”

Portrait Of Isaac Asimov
E esse aí é o tal autor do livro! O ilustre Isaac Asimov 😀

Os Eternos são uma organização criada para controlar as alterações na história da realidade. Isso em em todos os séculos, de forma a garantir que a humanidade siga o melhor caminho possível.

Andrew Harlan é um Eterno, um Técnico que lida diariamente com o destino de milhares de pessoas. Sua função é iniciar mudanças na história. Cada grande mudança começa com uma pequena ação e Andrew é responsável por executar as ações certas, no tempo certo, para que o “grande acontecimento” seja possível.

Pode-se fazer uma analogia do trabalho desempenhado por Andrew com a nossa própria história real!

Observe:
Portugal e Espanha eram as nações mais poderosas do mundo na época das Grandes Navegações (séculos XV e XVI). Na busca de uma nova rota para as Índias, Cristóvão Colombo liderou uma expedição pelo oceano atlântico, alcançando o continente americano. Por quê ele acreditava que poderia chegar nas Índias “dando a volta” pelo mar? Se Andrew fosse uma pessoa de verdade, ele poderia ter sido incumbido de instigar Colombo na busca pela nova rota para as Índias.

Mas voltemos à narrativa. Os Eternos são autodisciplinados e devem executar seu trabalho com o máximo de rigor e frieza. Afinal, nem todas as ações que devem ser executadas por um técnico são necessariamente boas.

Um técnico poderia ter tido a tarefa de provocar o ódio contra as “raças inferiores” em Hitler ou provocar os acidentes do 11 de setembro nos EUA (:O). Isso poderia acontecer pois as ações eram calculadas por um supercomputador, que era capaz de analisar os fatos históricos com uma precisão incrível. Não era trabalho dos técnicos opinar sobre as decisões tomadas. Por isso, Andrew aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho.

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Pense em um supercomputador imaginado na época em que Asimov escreveu o livro, 1955! Bem poderia se parecer com este aqui! 😛

Isso muda quando ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que faz Andrew rever todos os seus conceitos sobre a eternidade e as alterações que ele vem fazendo.

Ele se apaixona.

A partir de então, Andrew começa a questionar se as alterações que ele estava para fazer na realidade alterariam a pessoa de Noÿs, se depois das alterações ela seria a mesma pessoa por quem ele havia se apaixonado (!).

O que o nosso protagonista faz?

Ele resolve arriscar tudo em nome desse amor: sua vida, a vida dela e toda a existência dos Eternos.

Se interessou?

Pois é. O universo construído por Asimov neste livro é realmente muito interessante. A viagem no tempo, mesmo sendo uma tecnologia palpável, demanda uma vasta quantidade de energia. Para a Eternidade funcionar foi construído um prédio, gigantesco, que não fica na realidade que conhecemos, mas em todas as realidades.

Imagine que cada andar deste prédio é um século. Andrew nasceu no século 482, por exemplo. Quanto mais alto neste prédio mais para frente no tempo você está indo. Então, para conseguir a energia necessária para manter a eternidade funcionando, o prédio vai até onde o Sol se torna uma supernova (imagine quantos andares esse prédio não tem). A energia é, então, extraída desse período no tempo e alimenta todas as operações.

Uma outra coisa que mostra como Asimov estava à frente de seu tempo, é que ele descreve algumas realidades que jamais veremos. Algumas das realidades de alguns andares da Eternidade são baseadas em energia e não matéria. Um conceito muito interessante.

eterno_sentimento

O início do livro é bastante confuso pois o autor não explica muito sobre o universo, ele deixa esse papel para o próprio texto e para o leitor ao longo da leitura. São usados muitos termos pseudocientíficos durante o texto, então é bom abstrair e aproveitar a trama.

O livro levanta vários questionamentos sobre o conceito de evolução. Existe uma faixa de tempo que é conhecida pelos eternos como séculos ocultos, esses séculos estão muito no futuro (70000 e 150000), faixa que os técnicos não têm acesso. Eventualmente o leitor descobre que o chefe de Andrew é de algum século no meio dessa faixa, mas descobre também que a tecnologia pouco avançou, mesmo em todo esse tempo.

Portanto, será que só ocorre evolução quando uma grande dificuldade é enfrentada e superada? Outro questionamento que surge é se os Eternos realmente têm o direito de interferir na realidade da maneira como fazem.

Para os fãs de uma boa ficção científica é um livro que recomendo fortemente. Apesar de parecer ser um livro independente do autor, existem referências com outras obras, como algumas tecnologias que aparecem na série da Fundação. Mas apesar disso, a história pode ser encarada como independente, contida em seu próprio universo. Excelente leitura para os fãs do de FC.

estrelas copy

Thales

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