E o Oscar vai para…..

Sabe aquele livro que você ama e de repente descobre que foi adaptado para o cinema? Ou aquela lista de filmes do Oscar que estão concorrendo a melhor roteiro adaptado e vem das páginas de um livro que você nem sabia que existia antes?

Pois é, o cinema e a literatura se misturam e um monte de obras estão disponíveis para serem vistas, ou lidas. Mas quais as diferenças? O livro é melhor que o filme ou nem vale a pena passar nas livrarias depois da sessão pipoca?

Trouxemos três exemplos de livros/filmes para discutir com vocês, melhores leitores!

(puxamos o saco mesmo! 😛 )

Vem conferir!

1- ENTREVISTA COM O VAMPIRO – ANNE RICE

O LIVRO

Entrevista-Com-O-Vampiro-livro-1-As-Crônicas-Vampirescas
Capa brasileira mais recente do livro, publicado pela editora Rocco.

O “classicão” escrito em 1976 por Anne Rice é nosso primeiro escolhido! O livro traz as memórias do vampiro melancólico Louis de Pointe du Lac que resolve ceder uma entrevista a um humano que registra a história assombrosa do bebedor de sangue. É em “Entrevista com o Vampiro” que conhecemos um dos personagens mais carismáticos da literatura vampiresca, o irreverente e sedutor Lestat de Lioncourt.

O livro vale a pena?

Super vale! Livraço, para ler ontem. Anne inova na criação de “vampiros humanos“, onde os sentimentos reais produzem ação e momentos reflexivos profundos. Sensualidade, mistério e carisma puro transbordam das páginas. Ah! preparem-se para se apaixonar por Lestat e ficar com raivinha de Louis >.<

O FILME

Vamos a ficha técnica! Dirigido por Neil Jordan e com um time de peso na lista de atores, “Entrevista com o Vampiro” foi lançado em novembro de 1994 e é um sucesso no círculo de fãs de Anne. Vestindo os personagens temos Tom Cruise como Lestat ( ❤ ), Brad Pitt como Louis e uma Kirsten Dust ainda criança fazendo o papel de Claudia. A presença de Tom Cruise é tão crível e similar ao que lemos nos livros que, de minha parte, não consigo ler sem lembrar do rosto do ator!

tumblr_mjnzl5Bo9H1qi9thno1_500.png
Tom Cruise e Brad Pitt como Lestat e Louis!

No meio de algumas mudanças aqui, umas supressões ali, o filme consegue ser bastante fiel ao livro. Claro leve em conta que as mídias são diferentes e que a experiência que você terá em cada uma são pessoais e únicas.

Uma coisa que não me desceu, é a maneira como Armand foi retratado. No filme ele é representado por Antonio Banderas de cabelão preto até a cintura e aparência de adulto…. Mas no livro ele é de uma aparência andrógina, um ar quase adolescente e com cabelos cacheados e ruivos! É um susto comparar Banderas com a imagem mental que o livro cria…

Mas então…Vale a pena o filme?

Vale! Pequenos detalhes não tiram  o brilho da obra, que vale super ser vista! Mas cuidado! A continuação deste filme veio na forma de um desastroso “Rainha dos Condenados” que, longe do brilhantismo desse aqui, faz a gente chorar sangue de tão ruim que é! No cinema, fiquemos apenas com “Entrevista com o Vampiro” mesmo 😉

Ah! E parece que teremos remake em breve… Se isso é bom ou não, cabe esperar para ver, mas confesso que, se os boatos forem verdadeiros e o ator Jared Leto assumir o papel de Lestat, começo a ficar otimista 😀

Resumo da ópera: pega a pipoca e o marcador de páginas porque os dois, filme e livro, são excelentes pedidas!

 

2- LARANJA MECÂNICA – ANTHONY BURGESS

download-Laranja-Mecanica-Anthony-Burgess-em-ePUB-MOBI-e-PDF.jpg
Capa da edição da Aleph, para Laranja Mecânica.

O LIVRO

A segunda dica fica por conta de “Laranja Mecânica”, livro escrito por Anthony Burgess e comumente comparado com grandes conhecidos, tais como “1984”, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.

É um livro sobre laranjas? Não! O livro é narrado em primeira pessoa, mais especificamente, é pelos olhos de Alex, adolescente de 15 anos, que compreendemos o universo criado por Burgess. Membro de uma gangue de delinquentes juvenis, nosso protagonista assalta, espanca e estupra de maneira cruel e sem arrependimentos. Valendo-se de uma linguagem própria criada da fusão do inglês com o russo, o livro é repleto de gírias inventadas, e muitas edições trazem um glossário para facilitar o entendimento. Eu, no entanto, aconselho que leiam de forma totalmente imersiva, com todo o estranhamento que algumas palavras possam causar no início.

laranjaok.jpg
Alex, durante o experimento que mudaria seu comportamento violento.

“Laranja Mecânica” é, sem dúvida, uma distopia recheada de pontos extremamente atuais. Aqui você encontra críticas ferozes ao sistema carcerário, ao amadurecimento do jovem, à selvageria que pode estar contida no ser humano e relações de poder. Até que ponto a violência do indivíduo é contida por fatores exteriores a ele, como leis inexoráveis ou, no caso do livro, a supressão do livre arbítrio? Até que ponto sua supressão é fruto de percepções éticas e morais?

Já aviso aos navegantes que é um livro pesado, mas que vale extremamente a pena!

O FILME

Vale também? Vale.

Mas, na humilde opinião dessa leitora que vos fala, é ainda mais pesado que o livro.

A brutalidade de Alex e sua trupi é colocada de forma muito crua no famigerado filme de Stanley Kubrick, lançado em 1972. Ela consegue ser tão perturbadora, que em poucos minutos de cena, alguns espectadores desistem de ir adiante e terminar o filme. Acusado de promover a violência em sua película, Kubrick suspende a exibição de “Laranja Mecânica” nas telonas britânicas até o dia de sua morte, em 1999. O terror psicológico e físico de cenas perturbadoras levaram algumas atrizes a desistirem de cenas de estupro que a película demandava.

No entanto, para além das cenas violentas e estética visual, “Laranja Mecânica” possui um conteúdo extremamente provocativo, abordando condicionamento social e escolhas humanas baseadas não em empatia, mas em imposições extremas, também elas, violentas.

Entre detratores e cinéfilos apaixonados, uma coisa é certa: é impossível ficar indiferente à “Laranja Mecânica”. Seja no cinema, ou na mídia impressa.

 

3 – O GRANDE GATSBY

O LIVRO

Grande-Gatsby-Capa
Capa da editora “Geração”

1920. “O Grande Gatsby”, escrito pelo aclamado F. Scott Fitzegerald, é mais uma cria da década que tando concedeu e tirou do autor deste livro. Contando a história do milionário Jay Gatsby, a narrativa nos revela um self made man, um homem que ascendeu financeiramente pelos seus próprios méritos e que surge para reviver antigos amores e agitar a sociedade no litoral leste americano.

Apesar do título, nosso narrador é o vizinho de Gatsby, Nick, e é através dele que acompanharemos uma história de vazios em meio a festas extravagantes e corações partidos.

A efervescência da chamada “Era do Jazz” está presente aqui, com mulheres ousadas, de calcanhares à mostra e madeixas curtíssimas que bailam e bebem a vontade.

Eu não acredito que esse pequeno livro vá entrar para sua lista de “favoritos”, mas é uma leitura que flui razoavelmente bem, e que possui final marcante e reflexões bem válidas. O contraste entre as festas espalhafatosas, os salões cheios com o vazio interno de cada personagem é marcante e merece ser mencionado.

A solidão é um personagem importante em “O Grande Gatsby”, e você poderá senti-la a cada virar de página.

O livro vale a pena então?

Vale sim. Só não tenha muita expectativa a respeito dele. É um bom livro, diverte, mas não vai mudar sua vida.

O FILME

Em 1974 sai uma versão cinematográfica para “O Grande Gatsby”, dirigida por Jack Clayton, estrelada por Robert Redford e  Mia Farrow. Mas não é desse filme que falaremos.

Trataremos aqui da versão de 2013, dirigida por Baz Luhrmann, o cara que fez o bom Romeu + Julieta  ❤

Infelizmente em “O Grande Gatsby”, Luhrmann não consegue a mesma qualidade. Os efeitos visuais são mesmo de chamar atenção, os figurinos são excelentes, tanto que mereceram a premiação no Oscar. Mas não passa disso.

O que é surpreendente, porque olha só o elenco:

  • Leonardo Di Caprio ( Jay Gatsby)
  • Tobey Maguire (Nick Carraway)
  • Carey Mulligan (Daisy Buchanan)

É ou não é de encher os olhos? 😀

Pois é, mas mesmo com a boa atuação do DiCaprio (sempre lembro dele quando penso em Jay Gatsby!), o filme passa sem marcar, com um roteiro meio sem foco sabe? A gente fica perdidinho vendo o filme, com cara de paisagem.

A película parece se apegar às festas, ao excesso, enquanto que, acredito eu, estes elementos apenas mascarem o verdadeiro tema do livro: a solidão, a fragilidade das relações humanas. Talvez este tenha sido o erro do diretor, algo que quebrou com a empatia que poderíamos sentir pelos personagens, ou que tornaria o filme querido.

Se recomendo?

Acredito que não.

Leia Fitzgerald, mas deixe a tv para outras adaptações mais bem sucedidas.

 

 

Jovi

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s