Star Wars: Kenobi – John Jackson Miller

“As vezes é preciso perder tudo para encontrar seu verdadeiro caminho” – Obi Wan Kenobi

kenobi“Kenobi” é o primeiro livro que leio da série de títulos relacionados ao universo expandido de Star Wars. Já vou logo dizendo, antes de qualquer outra consideração: me surpreendi muito com ele.

A capa belíssima da editora Aleph chama a atenção de cara. Outra coisa que chama atenção pode ser o tamanho, um “calhamaço” de 528 páginas. No entanto, relaxa, depois que você começar a ler não vai soltar mais e, se tiver tempo, vai acabar em uma semana. Aposto.

Foi exatamente o que aconteceu comigo. Bom, não foi em uma semana… Foi menos.

Alguns detalhes técnicos no entanto podem incomodar muito. O mais grave que eu percebi foi o fato de várias espécies de criaturas da mitologia Star Wars serem citadas como se os leitores conhecessem TODA a fauna de Tatooine como a palma da mão. Senti falta de uma nota de rodapé para situar quem estivesse lendo, sem que fosse necessária uma visitinha ao Google, para conseguir visualizar a cena. Uma coisa que teria sido incrível se a Aleph tivesse providenciado, seria um bestiário no final do livro com ilustrações dessas raças (*-*).

O livro tem capítulos curtos, e isso é ótimo. Agiliza a leitura, deixa mais fluida (pelo menos para mim funciona super bem). Mas as transições de capítulos tem página dupla com uma arte que se repete e não é tão legal assim :(. Ou seja, acumulam-se páginas dispensáveis e que não se justificam, porque não tem uma ilustração top para ocupar duas laudas.

Agora sim, sobre o conteúdo da história: John Jackson Miller fez uma coisa incrível. Sério.

Você precisa conhecer o personagem Obi Wan Kenobi para ficar “amarrado” de forma irresistível à esse livro, é verdade, mas isso não é um problema, já que ele se propõe a ser uma continuação de algo em um espaço bem delimitado de tempo.

É preciso conhecer Obi Wan antes de ler o livro? Ok, isso limita a gama de leitores. Mas ao sair da leitura, suas impressões sobre este personagem estarão muito ampliadas (e serão as melhores possíveis, vai por mim).

Seria difícil se aventurar a colocar uma das personas mais misteriosas de Star Wars para construir uma história que gire em volta dela. Como fazer com que essa aura, tão característica, de mistério permanecesse? Você vai ter que ler “Kenobi” para descobrir, mas acredite em mim, o autor consegue.

Aqui encontramos Obi Wan após a queda de Anakin e da República. Ele começa sua responsabilidade em manter Luke Skywalker e a família que cuidará dele, os Lars, em segurança no inóspito planeta Tatooine.

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Um dos personagens mais icônicos da saga Star Wars: Obi Wan Kenobi!

No entanto, o exemplar levanta uma série de questões: E Kenobi? Como ele experienciou tudo? Como ele SENTIU a perda de tudo que antes havia amado? E a traição de Anakin? Como ele se virou durante todos aqueles anos, sozinho? O livro de Miller torna um dos meus personagens preferidos de Star Wars em algo mais HUMANO. Você sente a dor de Kenobi, os sentimentos contraditórios e profundos que ele laça com tanta gentileza (uma característica marcante de Obi Wan, por sinal).

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A’Yark

Para que isso seja possível, o autor traz à baila duas personagens femininas estonteantes! Uma Tusken de nome A’Yark e a humana Annileen.

Um autor homem que consegue criar personagens femininas tão reais e cativantes é de se aplaudir! Elas evoluem devagar, com cuidado, sem pressa, fazendo com que o leitor vá evoluindo também… assim como Kenobi.

Sem A’Yark e Anileen não haveria livro, nem história. Elas são tão protagonistas quanto Obi Wan. Cada capítulo mostra visões de um personagem em específico, com narrador onisciente.

Raramente sabemos sobre Kenobi mais do que descobrimos em seus momentos de meditação. É lá, tentando comunicar-se com Qui-Gon que “Ben” , como ele passa a chamar a si mesmo, expõe as feridas de seu coração e os impasses que conviver com os personagens novos que Tatooine lhe apresenta.

Cativante, poético e levemente melancólico, você acha temas muito bonitos nesse exemplar. Os personagens principais são pessoas de meia idade, não tão novos e inescrupulosos… Já foram “quebrados” de alguma forma por escolhas erradas e pela vida em si. Isso cria dimensão, profundidade e laços de empatia fortes. Apesar de alguns clichês, a magia do livro de Miller está na sutileza das emoções humanas versus responsabilidade. É realmente um livro digno de ser lido.

Se eu tivesse que escolher acrescentar alguma coisa, daria maior ênfase para a dureza e dificuldade das decisões finais que Kenobi precisa fazer. Abrir mais as feridas e dores. Acho que era a hora de deixar o gelo derreter mais um pouco sob os sóis de Tatooine.

Enfim, saboreie essa leitura recheada de ação, poesia, melancolia e reviravoltas. Vale cada página virada.

five stars

Jovi

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