Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

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Queima de livros aconteceu até em He-man 😮

Antes de ler Fahrenheit 451, vi algumas resenhas que tinham o seguinte enunciado “em um futuro distante”… Bem, Ray Bradbury escreveu este romance em 1950, em uma biblioteca de sua cidade. Em 1953 o autor reedita o romance que tinha como título The fire man e o transforma em Fahrenheit 451.

E daí?

E daí que  muitas das coisas que Bradbury escreve em Fahrenheit 451 definitivamente não existiam nos anos 50, entretanto, para nós no século XXI, é um romance mais atual que poderíamos imaginar (observem).

Classificado como uma distopia,  para alguns até mesmo como uma “previsão”, temos aqui bastante polêmicas (tanto acerca do autor quanto de  sua obra).

Vamos falar um pouquinho sobre a história então!

Fahrenheit 451 nos apresenta um bombeiro chamado Montag. É curioso notar que bombeiro em inglês se escreve fire man – isso é uma curiosidade, mas também uma sacada para a história pois, na escrita de Bradbury, eles não apagam mais incêndios… Eles os provocam! Os bombeiros em Fahrenheit 451 queimam LIVROS!

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Queima de livros em 1933 – Alemanha

No mundo de Montag as pessoas não lêem mais já que estão o tempo todo olhando para alguma tela, ou com as ditas “radio conchas” em seus ouvidos para escutar música ou receber as notícias. Na casa de Montag, por exemplo, existe uma sala com três telas gigantes onde sua esposa, Mildred, está constantemente interagindo com as telas em um programa que simula uma família.

As pessoas não conversam mais, como te falei anteriormente, elas não lêem mais. A palavra de ordem é “ser feliz“.

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Bombeiros que não apagam incêndios…

É em nome da felicidade que as pessoas se abdicam dos livros, é em nome disso que é necessário queimá-los todos, pois eles “mostram os poros no rosto da vida“.

Sim, uma censura.

Entretanto, Ray Bradbury consegue nos mostrar por meio de sua narrativa que, ironicamente, não é uma autoridade superior, de forma impositiva, que ordena a queima e proibição dos livros, mas sim, um apelo das pessoas, uma decisão conjunta. Esse tipo de situação não configura um panorama ditatorial, mas sim, uma “sociedade livre”. O estado só estaria atendendo ao apelo de uma população que vê nos livros um problema.

Assustador não?

“Então, vê agora porque os livros são tão odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida. As pessoas acomodadas só querem rostos de cera, sem poros, sem pêlos, sem expressão.” (Fahrenheit 451, Ray Bradbury)

A leitura do romance não é complexa e nem rebuscada, é um livro pequeno. Li uma edição de bolso da editora Globo (nessa versão tem um “Suplemento de leitura” que traz umas sugestões para trabalhar este livro em sala de aula. Muito legal!).

Não só a história por trás da história  é interessante,  mas também a vida de Montag vai se tornando uma aventura envolvente. Nós só temos a visão do protagonista na história, conhecemos aquele mundo sob os olhos dele, então, vamos descobrindo os acontecimento juntos, podendo se surpreender simultaneamente.

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“Existem várias maneiras de se queimar um livro”

Outra coisa que eu preciso te falar, é a respeito do ritmo. Não sei se é esse o termo, mas é a palavra ideal que eu encontrei para descrever… O autor escreve as palavras de acordo com o ritmo dos acontecimentos. Sabe aquela sensação da semana ter sido tão rápida que você pensa “como assim já é sexta”? Pois é, existem algumas partes do livro que são assim.

Em outro por exemplo, percebe-se o ritmo de uma chuva, com pequenas gotas que tocam a gente e depois em segundos PÁ! – é uma chuvarada. Gostaria de tomar a liberdade de transcrever aqui um trecho.

” Uma gota de chuva. Clarice. Outra gota. Mildred. Uma terceira. O tio. Uma quarta. O fogo de hoje à noite. Uma, Clarice. Duas, Mildred. Três, tio. Quatro, fogo. Uma, Mildred, duas, Clarisse. Uma, duas três, quatro, cinco, Clarisse, Mildred, tio, fogo, pílulas, lenços, assoar, limpar, dar descarga. Uma, duas, três, uma, duas, três! Chuva. A tempestade. O tio rindo. O trovão descendo céu abaixo. O mundo inteiro se derramando em água.[…] Tudo se apresentando numa enxurrada estrondosa e fluindo como rio rumo à manhã.”(Fahrenheit 451, Ray Bradbury)

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Polêmica! No fim do livro nos deparamos com um Posfácio, onde o autor escreve um pouco sobre seu percurso, e de como escreveu e reeditou o romance. Acho que essa é uma parte muito interessante para jovens escritores, um relato de um outro autor sobre suas dificuldades e dilemas. Ali podemos ter contato também com algumas referências ou leituras que Bradbury conheceu ao longo de sua jornada, enquanto escrevia Fahrenheit.

Por exemplo, um dos nomes que ele cita é Julio Verne, e, para mim isso foi bem esclarecedor. Ambos os livros me parecem ter um carácter “profético”:  Julio Verne descrevendo um submarino (entre outras coisas) e Bradbury descrevendo uma era como a nossa, onde as pessoas estão olhando o tempo todo para uma tela (eu estou escrevendo olhando para uma tela :p), onde as pessoas acompanham a caçada de um “bandido” pela tevê, onde uma “tv” pode ser tão pequena que podemos carrega-la no bolso…

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São Domingos e os Cátaros (1207)

Bom chega disso… a polêmica está depois do posfácio, onde temos uma seção intitulada de Coda, onde somos apresentados à uma “carta” do autor, ou, mais precisamente um desabafo dele. O começo descreve diferentes circunstâncias onde Ray recebeu cartas que elogiavam seu trabalho, entretanto, pediam-lhe que “reescrevesse”,”modificasse” ou “retirasse” alguns personagens e situações. O autor segue dizendo que “existem várias maneiras de se queimar um livro”, no caso, ele está certamente referindo-se à tentativas (algumas “eficientes”) de esvaziamento que muitos livros sofrem: nem todas as edições são fieis, ou o resultado final é como gostaria seu criador.

“Beatty, o capitão dos bombeiros em meu romance Fahrenheit 451, explicou como os livros foram queimados primeiro pelas minorias, cada um rasgando uma página ou parágrafo deste livro e depois daquele, até que chegou o dia em que os livros estavam vazios e as mentes caladas e as bibliotecas fechadas para sempre.”(Fahrenheit 451, Ray Bradbury)

Em seu desabafo, Bradbury clama para que estes que tanto bradam por esvaziamentos redijam seus próprios livros, ao invés de editar os clássicos. Ele cita como exemplo algumas edições de Poe e até de Shakespeare que modificaram tanto os escritos que parecem ser a mesmas coisa.

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Ficam as questões: Qual o limite da censura? O que fica disso? Qual o limite? Qual a solução?

Será que os autores tem plenas possibilidades de publicar na íntegra seus esforços criativos? Será que alguns deles podem ser realmente nocivos?

Proibir um livro vai solucionar o problema da falta de educação das pessoas?

Em que momentos da história queimaram e proibiram livros? – SEMPRE (que triste, mas só digitar no navegador que você vai conferir).

Infelizmente algumas pessoas vivem tomadas pelo medo, e, desesperados, tomam medidas severas. Até o filósofo Platão chegou a condenar a poética por ser enganosa.=, afinal,

“Um livro é uma arma carregada na casa vizinha […] Quem sabe quem poderia ser alvo do homem lido?”

 – Fahrenheit 451 teve uma adaptação para o cinema em 1967 – e como qualquer adaptação, é uma adaptação, então não substitui o livro e vice-versa.

– A maior parte das capas feitas para Fahrenheit 451 são geniais, aqui nesse pinterest você confere algumas delas.

Eu recomendo Fahrenheit 451 à todas as pessoas que vivem no século XXI.

five stars

JULIA

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6 comentários em “Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

  1. Finalmente encontrei alguém falando sobre essa polêmica. Confesso que no momento fiquei assustado, pois estava lendo algo que falava sobre livros e sobre a sua importância e do nada me deparo com um possível “preconceito” do autor. Eu sei que Ray estava criticando a censura, mas fiquei assustado em como ele rebaixou as minorias para uma “ameaça”, isso não tem como negar. É claro que é um tema polêmico e gera diversas interpretações, sei que ele foi direto quanto a sua opinião, mas espero que ele tenha tido uma boa intenção. Preconceituoso eu sei que ele não é, pois em um trecho da Coda ele critica um homem do Sul dos US que reclama por ter negros em As Crônicas Marcianas. Enfim, eu gostei bastante do livro. Concordo que não deve haver censura nos livros, no entanto, isso não significa que pessoas podem promover abertamente discriminação e ofensas, opinião é uma coisa e ódio outra. Acredito que livros, em sua maioria, são escritos para o bem, no entanto temos exemplos de livros que não possuem boas intenções, como exemplo o de Hitler. Ai começa outra polêmica… a de se deveria ou não publica-lo agora que caiu no domínio público. Ou pior kkk se deveríamos queimá-lo. Brincadeira a parte, obrigado pela maravilhosa resenha.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Olá Igor, Gostaríamos primeiramente de agradecer pelo comentário.
      Primeiro, sim deu medinho de escrever tudo isso. Realmente penso que o autor estava incomodado com a crítica, não ela em si, mas com a crítica-censura (isso existe?). Bom, aquela que não está interessada em dizer se o texto foi bem construído, se a narrativa, o enredo, se tinha ou não emoção. Acho que ele se incomodava com aquela que queria apontar o dedo na cara e dizer “você deve abandonar tais coisas e colocar mais disso, porque é isso que eu quero”. É uma facada no coração quando percebemos que Ray está falando que dentre os que lhe fazem essas críticas estão os grupos que não têm nenhuma representatividade, e que ser representado é muito significativo na vida das pessoas, é uma possibilidade de se projetar, de pensar “também posso ser um herói no meu mundo”. Mas o autor não está falando só desse grupo, mas de todos eles, inclusive, como você citou, dos que criticaram “As Crônicas Marcianas”.
      O problema da censura é que ela se forma em uma linha tênue, ninguém sabe o limite (ou melhor, geralmente perde-se o limite). Pra você ter uma ideia, durante os séculos XVI e XVII, a Igreja Católica passa por uma “crise” devido aos movimentos protestantes, e eles acreditavam que o protestantismo era verdadeiramente uma heresia, para combatê-lo os inquisidores foram rigorosos na censura, e foram queimadas muitas coisas como obras de arte e livros. Para barrar a heresia a Igreja também promovia a impressão de livros que atendessem rigorosamente o que era permitido. Mas não duvide, coisas parecidas aconteceram no mundo protestante também, na Inglaterra muitos padres foram perseguidos e mortos, por exemplo.

      Sobre Hitler, bom sobre o livro dele eu não sei o que dizer. Mas se você tiver curiosidade eu indico que visite o site archive.org lá você vai encontrar uma variedade de coisas, entre elas, livros antigos. Há por exemplo um chamado “Tratado sobre os varios meyos, que se offereceraõ a sua Magestade Catholica para remedio do judaismo”… Ele está lá para quem quer que o procure, é um português arcaico e difícil de ler no início. Se esse livro deveria ser de acesso a poucos? Bem acho que é uma tremenda loucura alguém ler isso e sair “aplicando”. Esse livro esta lá como prova e documento. Pense se você acha que Maquiavél é um livro que deveria ser censurado. Ou a Bíblia e o Alcorão. Ou Monteiro Lobato, Shakespeare e os Irmãos Grimm. Ou se deveriam vir com um aviso “Danger”.

      Eu não tenho resposta, nem poder de resposta pra isso. Mas acho que a pergunta que pode ser feita é, o que mudou de lá pra cá? O que vale mais, produzir ou censurar? E produzir como, é válido ser como os católicos do século XVI?

      Sobre Bradbury ser ou não racista acho que não tenho competência para uma afirmação dessas. A única coisa que eu posso dizer é que ele nasceu nos EUA, em 1920 e estamos em 2016 e o mundo não se livrou em nada do preconceito, xenofobia, racismo.

      Resumindo tudo isso a gente corre o sério risco de achar que o problema está nos seres estranhos que somos. Acho que independente de livros, as pessoas que querem ser assassinas elas serão, mas acredito (com a minha mínima e humilde experiência de leitura) que os livros lidos ainda abrem espaço para a reflexão, para uma experiência pós/fora que não é doutrinária.

      “Quem sabe quem poderia ser alvo do homem lido?”

      Abraço forte
      e Saudações literárias
      da Juh 😉
      (perdão pelo texto gigante, adorei seu comentário! Acho que não vou conseguir dormir de tanto que minha mente está pensando em todas essas coisas hauhsuahsaushuha)

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      1. Juh, obrigado pelas dicas. Vamos lá, por partes.

        Eu também estou com a mente a mil desde ontem devido a essa Coda. Já pensei em mil coisas e concordo com o que você disse. Ray pegou pesado com as palavras lá, acho que ele já estava sem paciência, mas tinha razão quanto a necessidade. kkk
        Sobre a Igreja Católica eu lembro da inquisição e da censura que pessoas tiveram, um exemplo foi Galileu Galilei e a sua obra sobre o heliocentrismo. Sobre as outras obras, eu lembro que li O Principe quando tinha uns 14 anos. Foi uma indicação da professora de história, lembro que pensei: “Se eu estou lendo isso hoje e ficando impressionado, imagina o rebuliço que foi na época.” Quando for possível, irei reler esse clássico.

        Sobre o livro de Hitler eu tinha essa ideia, acho que ainda tenho um pouco, de que não seria correto lança-lo. Mas estou começando a olhar o outro lado. Como você disse, quem tiver que ser ruim (assassino) será. Realmente você tem razão. Acho que por mais que alguns leiam e fiquem “encantados”, estes serão poucos. Acredito que a aversão as condições impostas por Hitler será bem maior do que esses “encantos”, como você falou no caso dos EUA antigo e o atual, acredito que seja a mesma coisa na Alemanha, a população mudou com o tempo. Confesso que tenho ainda um pouco de receio, pq vemos cada vez mais a sociedade e a politica, em especial a brasileira, apoiar coisas que são absurdas e com isso tais ideais poderiam ganhar espaço infelizmente. Mas isso não está em questão agora.
        Já li livros como o Diário de Mary Berg e fiquei -destruído- com os fatos narrados por ela que ocorreram no gueto de Varsóvia e com o fim que ela teve.

        Sempre gostei de livros, mas confesso que andava devagar com as leituras ultimamente devido os estudos. Mas pouco a pouco lendo um após o outro, tenho voltado com o hábito da leitura e não há prazer melhor. Ray sem sombra de dúvidas acaba de contribuir para o retorno desse hábito.

        Sou apaixonado por livros de ficção, “conheci” Ray anos atrás em As Crônicas Marcianas e lembro que em um trecho do livro o personagem em marte cita a terra “lá pessoas estão queimando livros”(algo assim) e lembro que também fiquei assustado na época, mesmo sabendo que era ficção, eu não podia imaginar uma coisa desses acontecendo. Isaac Asimov é a minha meta de leitura para os próximos meses.

        Também gosto de alternar a ficção com um pouco de “real”(ou uma ficção que não seja cientifica, não sei se existe isso kkkk), mas para isso tenho a literatura. ❤
        Não sei se há uma resenha sobre o livro Grande Sertão: Veredas aqui no blog (irei procurar), mas é um livro que eu recomendo muitoooooo, é o meu livro favorito e é para muitos o melhor livro brasileiro. Desculpa, pois não sei se é um tema que te interessa, mas esse livro é inigualável.

        Obs: Não sei se você já leu um livro sobre a história da química, um livro que conta desde a teoria do flogisto até a química moderna. Como você gosta de história medieval, esse livro tem um pouco sobre o mundo da química naquela época. ….. Também já li GoT kkk, empaquei no inicio do segundo livro, mais pra frente irei retornar a leitura da saga. Se eu falar que os capítulos da Sansa eram os que eu achava mais tediosos no primeiro livro, você promete não ficar chateada. kkkkk Mas eu sei que a Sansa terá uma maior importância nos decorrer da história, só espero que ela não morra (não acompanho a série). kkk

        E sobre o textão… não têm problemas. Eu também escrevo alguns, como agora. Abraços, estarei acompanhando as suas próximas resenhas.

        Curtido por 2 pessoas

      2. Igor, sobre o Coda, acho que vamos continuar com mais perguntas que respostas. Mas isso que é o mais legal. Eu quis ler Fahrenheit 451 por causa do meu irmão, ele é fã de Ficção Científica. Foi o meu primeiro livro do autor e a primeira distopia, pretendo me aventurar mais.

        Sobre “quem tiver que ser ruim (assassino) será”, bom acho que um bom exercício é lembrar de casos como o de James Holmes – que entrou no cinema atirando em pessoas – ele estava vestido de batman. Mas o filme do Batman não o fez ser o que ele é.

        Grande Sertão: Veredas – é, infelizmente não temos resenha desse livro no Blog Ainda, mas é uma boa ideia, porque temos uns fãs de literatura brasileira aqui sim. (na Aba “resenhas e videos” tem a relação de livros resenhados, somos um bebê ainda rss)

        Sobre a história da química – o livro chama “A História da Química”? ou é algo geral? Me interessei sim rsss. Vou pesquisar

        Sobre a Sansa. Isso é coisa do Felipe e da Jovi, eles começaram a ler os livros e assistir a série antes de mim, na época eu tinha cabelos pintados de vermelho e um Husky chamado Lady (eles não puderam evitar). Comecei a assistir a série por causa deles, depois não resisti e me aventurei pelos livros depois da 2ª temporada. Mas eu fiquei com raiva no início por terem me comparado com a Sansa, eu não gostava dela, hoje rola uma empatia ♥.

        Curtido por 1 pessoa

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